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25.5.13

"mimimi eu amo livros". será?

recentemente eu adentrei o mundo das discussões a respeito de livros. existem vários grupos no facebook com esse propósito. a maioria tem (muitos) adolescentes de 13 a 15 anos de idade. em pouco tempo, pude detectar algumas coisas em vários deles: 1) a clara predileção por livros ~da moda~ (e esse não é nem o problema, com 14 anos eu também só lia o que era ~cool~); 2) uma espécie de desprezo por livros malcuidados, usados e de bolso.

por favor, se você se encaixa em algum dos aspectos do item dois: pare. apenas pare. é feio.

é muito feio pra alguém que diz gostar de leitura ser obcecado por livros novinhos, como se tivessem saído das prateleiras naquele instante. não quero forçar ninguém a gostar de livros usados ou de bolso, mas é uma coisa pra se repensar. o que vale são as linhas escritas e o que você absorve delas, não a aparência da capa. um livro não precisa estar extremamente novo pra ser lido. as prateleiras não precisam estar meticulosamente arrumada por ordem de tamanho ou alfabética pra ter valor. bater o pé e dizer que não gosta de livros de bolso ou usados e se puder não lê é rejeitar alguém baseado na aparência. e não é justamente isso que tantos dos nossos leitores assíduos repudiam?

20.11.12

Amar sem sombras

"Esta é a história de uma mulher e de um homem que se amaram plenamente, salvando-se assim de uma existência vulgar. Eu a levei na memória conservando-a para que o tempo não a desgastasse e é só agora, nas noites silenciosas deste lugar, que finalmente posso contá-la. Eu o farei por ele e por outros que me confiaram suas vidas dizendo: toma, escreve, para que o vendo não as apague." - Isabel Allende

Eu já havia visto o filme baseado em De Amor e De Sombra, romance de Isabel Allende, algum tempo atrás. Confesso que não lembrava de muita coisa da história, mas, ao ver a edição "vira-vira" (2 livros em 1. O outro livro é A Casa dos Espíritos) na Livraria Saraiva, em Salvador, me senti tentada a comprar. E, sovina que sou, o preço foi ainda mais tentador: com o desconto, ficava por R$12,90.

Saí da livraria feliz, com o livro e um CD em mãos, achando que não poderia ficar melhor. Não é que ficou?

Quero avisar que De Amor e de Sombra é um romance nitidamente à esquerda. Por quê vejo o livro dessa forma? Primeiro, a biografia de Isabel Allende nos dá uma forte pista. Ela é sobrinha do ex-presidente chileno Salvador Allende e foi exilada por ocasião do golpe militar em seu país. Em segundo lugar, está a forma como o enredo é conduzido. O interessante e curioso é que Isabel Allende não cita o país onde a história se passa, mas várias pistas são dadas para que possamos concluir que esse lugar é o Chile.

Irene Beltrán é uma jovem jornalista, noiva de um capitão do Exército e alienada politicamente. Um dia, ela conhece Francisco Leal, que vai trabalhar como fotógrafo na redação que ela chefia. Eles decidem fazer uma reportagem sobre Evangelina Ranquileo, que mora em um pequeno povoado e é tida como uma santa, por realizar alguns milagres. Irene e Francisco vão até Los Riscos presenciar os feitos da garota e, nesse dia, os policiais chegam para prendê-la. E, puft, ela some. Os dois começam, então, a investigar o mistério do sumiço de Evangelina. Enquanto isso, envolvem-se cada vez mais e se apaixonam. E, olha, a paixão deles é algo lindo.

O pai de Francisco, para mim, é a maior prova do caráter ~subversivo~ do romance. Espanhol fugido do regime de Franco, o professor Leal era marxista e, após algumas desilusões com a URSS, torna-se anarquista. E ele é simplesmente um dos melhores personagens do livro. Já a mãe de Irene, Beatriz Alcantara, é descrita como uma mulher alienada, que não suporta a ideia de que seu marido, desaparecido, possa ter sumido por ser comunista. Em alguns pontos, tem-se a impressão de que ela é uma vilã, por embora De Amor e de Sombra não tenha, de fato, nenhum vilão a não ser a ditadura instalada no país.

Quando assisti ao filme, confesso que não havia entendido o que seriam as "sombras" do título. Após a leitura, tornou-se tão óbvio para mim que chega a ser vergonhoso eu não ter compreendido de início: as sombras são a ditadura, a repressão, a censura. Que todas as más experiências de uma ditadura sirvam de lição: quero um mundo de amor, sem sombras.

2.9.12

Uma pequena lista.

Tenho alguns livros acumulados para ler. Alguns eu não incluí porque duvido que terminarei de lê-los algum dia hahaha. Se o livro fica chato demais, eu tenho dificuldade para prosseguir. Um hábito feio, eu sei. Se eu fosse incluir tudo que eu tenho e que nunca terminei de ler, a lista triplicaria, acho.

Minha lista é essa:
A Taça de Ouro - Henry James [Comprei em maio de 2010. Comecei a ler e achei muito denso, acabei desistindo. Talvez me caia melhor agora. Ou não]
Liberdade Ainda Que Tardia - Álvaro Cardoso Gomes [Uma biografia de, advinhem, Tomás Antônio Gonzaga. Li as primeiras páginas, parece uma leitura bem gostosa]
Madame Bovary - Gustave Flaubert
Drácula - Bram Stoker
Os Miseráveis - Victor Hugo [Já comecei a ler, na verdade. Mas parei no meio, não sei porque. Não achei a escrita tão complicada que o tornasse chato, e a história é interessante. Vá entender...]
O Senhor dos Anéis - J. R. R. Tolkien [Eu já li parte do primeiro livro (A Sociedade do Anel) e achei incrivelmente chato. Mas talvez eu devesse dar uma nova chance a Tolkien, não?]
Uma Breve História do Brasil - Mary Del Priore e Renato Venâncio
Um Amor Sem Palavras - Rachel Simon

Tem alguns livros em inglês também, como Golden Hill, de Shirley Lord (nunca tinha ouvido falar dessa escritora) e Shangai Girls, de Lisa See. Estou também com três volumes (1933, 1944 e 1956) de uma coleção antiguinha da revista Time chamada Time Capsule. É uma espécie de resumo do ano, através de manchetes da Time. Confesso que comprei por causa do preço - cada um foi R$2.

Além desses que são da minha estante, estou com Quarup (Antonio Callado) para ler, mas ainda não comecei. E tem High Fidelity, de Nick Hornby, que estou lendo em inglês no computador.

A minha mãe meio que me proibiu de comprar livros enquanto eu não ler tudo. Na verdade, não é bem uma proibição, mas ela faz todo um discurso pra me fazer sentir culpa - e aí eu desisto de comprar, até porque compro com o dinheiro de meus pais. Hahaha.

Essa é uma das vantagens de não ganhar o próprio dinheiro: você não gasta com tudo o que vê pela frente. E devo dizer que é uma das desvantagens também.

De como me tornei Marília de Ninguém

Eu costumava ler muito... até que eu entrei no Ensino Médio. Acabei perdendo, pouco a pouco, o hábito da leitura, sob a justificativa de que, ao terminar de estudar, sempre estava cansada demais para me entregar às páginas. Não é uma mentira, mas também não é exatamente a verdade, já que ler pode ser bem relaxante também.

Agora, mais próxima do que nunca de pegar a ficha 19, tentarei retomar meu antigo ritmo de leitura. A criação do blog é pra me estimular a não desistir da meta (inicial) de um livro por semana. Tentarei também ver ao menos um filme por semana. Parece insano eu começar esse desafio justamente agora, com os fucking vestibulares chegando, mas... a quem eu quero enganar? Sou procrastinadora por natureza. Se eu não lançasse a meta, arrumaria outra maneira de adiar os estudos.

O pseudônimo é homenagem à musa de Tomas Antônio Gonzaga, Marília. Como me falta um Dirceu (e acredito que, no fundo, talvez não faça falta), fico sendo "Marília de Ninguém" mesmo.

Que eu não desista desse blog, assim como fiz com os outros mil que já criei.